Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Columbiformes
Família: Columbidae
 Leach, 1820
Subfamília: Claravinae
 Richmond, 1917
Espécie: P. geoffroyi

Nome Científico

Paraclaravis geoffroyi
(Temminck, 1811)

Nome em Inglês

Purple-winged Ground-Dove


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Em Perigo Crítico

Fotos Sons

Pararu-espelho

A pararu-espelho é uma ave columbiforme da família Columbidae. Também conhecida como pomba-de-espelho, pomba-azul e pararu. Antigamente conhecida por Claravis godefrida. Está ameaçada de extinção pela devastação da Mata Atlântica, distribuição fragmentada das matas remanescentes e a caça.

Foi reconhecida como estando em maior risco de extinção em 1994, devido à perda e fragmentação de seu habitat na Mata Atlântica.

O status critico dessa espécie, também se deve no passado recente (anos 80 e 90) à incompetência técnica dos órgãos de proteção à fauna, quando proibiram a sua criação em cativeiro. Eliminando assim, a preciosa população de aves em reprodução, existente nos criadouros, e a perda de seus conhecimentos de manejo da espécie. Erro denominado “dumb zeal” nos EUA.

Esse é considerado no mundo, o mais importante caso de uma possível extinção de espécie, propiciada justamente por erros de um órgão oficial de proteção à fauna. Um ônus moral para o Brasil, e para os responsáveis pelas decisões.

Imaginar uma maior perda por esse equívoco, se o mesmo tivesse ocorrido com a ararinha azul ou o mutum do nordeste, dentre outros. Só não ocorrendo nesses casos, unicamente pelo mérito de abnegados criadores particulares, do Brasil e do exterior.

Relatada ocasionalmente, até mesmo em 2017, mas sem fotos ou gravações das aves na natureza, os cientistas estão cada vez mais pessimistas quanto à sua sobrevivência.

Considera-se também que dada a raridade divulgada, é elevado o risco de intensa busca e captura criminosa, para sua venda no rico mercado negro internacional de aves, até por pseudos conservacionistas. Não se descartando assim, a existência de possiveis planteis dessa espécie com criadores estrangeiros, dada à relativa facilidade de adaptação dessa ave ao cativeiro. O que paradoxalmente, seria uma esperança para a salvação da espécie no Brasil e paises de ocorrência.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (latim) clarus, clarens = claro, distinto; e avis = ave, pássaro; e de geoffroyi = homenagem ao zoólogo francês Étienne Geoffroy Saint-Hilaire-(1772-1844). ⇒ Ave distinta de Geoffroy.

Características

Mede de 22 a 24 cm de comprimento e pesa entre 200 e 250 gramas. A espécie apresenta dimorfismo sexual.

A plumagem do macho é cinza azulado, e dependendo da incidência da luz, parece púrpura. Com duas largas faixas transversais na asa de cor castanho cobreada. Do pescoço ao peito predomina a combinação cinza e azul. As asas são escuras (ardósia-azuladas) e apresentam três largas faixas transversais pretas, que são característica marcante da pararu. As rêmiges destoam das penas do restante das asas, pois essas são coloração mais enegrecida. Do ventre à região do uropígio, a coloração é branco-acinzentada. Apresenta nas asas a característica mancha de brilho metálico acobreado ou “espelhos”, cujos reflexos intensos se observam no voo, originando seu nome popular.

A cauda possui as retrizes laterais brancas e as centrais, quase negras (ardósio-azuladas). O crisso (região ao redor da cloaca das aves) é branco-amarelado. Nos dois sexos, teremos os tarsos avermelhados, os olhos escuros e o bico preto.

As fêmeas embora possuam o desenho idêntico ao do macho, apresentam uma coloração completamente diferente de seu parceiro. São pardo-amareladas com fronte e garganta esbranquiçadas. O peito, ventre e uropígio são mais claros que a coloração geral, ou seja, pardo-esbranquiçados. As asas possuem coberteiras pardo-escuras e rêmiges de tom mais acentuado. As retrizes apresentam a mesma tonalidade das rêmiges.

VOZ

Foi descrito como “u-út” (H.Sick).

Alimentação

Alimenta-se da floração das taquaras, criciúmas, sementes e frutos carnosos como o mamão. Explorando preferencialmente os taquarais de regiões serranas em busca da frutificação dessas plantas como fonte alimentar. Entretanto, pode forragear no solo de campos abertos, atraída por sementes de gramíneas que surgem com o rebrotamento pós-queimada, e frutos do caruru.

Uma característica interessante da pararu é sua relação com as sementes de taquaruçu, taquara e taquaris. O reaparecimento desta espécie, em algumas regiões, seja natural ou antropomorfizada, se deve ao ciclo destas gramíneas, que ao produzirem suas sementes, contribuem para manutenção da dieta destas aves.

Reprodução

Foram encontrados pouquíssimos dados sobre a reprodução da Pararu. O que se sabe, é que a atividade reprodutora ocorre no verão, nos meses de Novembro a Fevereiro.

Há poucas informações, a respeito de seu processo de nidificação. Segundo um relato, este é montado em árvores espessas e com muitos ramos. Se o ninho, seguir o critério dos columbídeos, sua forma lembrará uma tigela achatada, com gravetos secos mal reunidos.

Diz-se ser contruído sobre cipós e ramagens de árvores, onde a fêmea bota dois ovos. Estes eclodem cerca de 15 dias após a postura.

Sabe-se por ex-criadores, que macho e fêmea se revezavam na incubação, preferindo raizes finas e ásperas para construir o ninho, que forravam com penas e musgo, em forquilhas. Em cativeiro sua alimentação baseava-se em misturas de sementes com rações granuladas, e se acostumavam facilmente à presença humana.

Hábitos

Espécie florestal de habito terrícola, vive em ambientes com florestas densas nas encostas de serras, escondida nas matas fechadas e taquarais.

Vivem na maioria das vezes em pequenos bandos. Porém, parece que de acordo com a região, os bandos tornam-se numerosos, pois na década de 30, foram observados bandos de 50 a 100 indivíduos. No período de procriação, ocorre a formação dos casais.

Distribuição Geográfica

Presente do Sul da Bahia até Santa Catarina. Os registros existentes indicam uma raridade natural em sua área de distribuição geográfica, embora alguns relatos antigos mencionem a espécie há mais de 50 anos. É considerada uma espécie quase endêmica do Brasil.

Fora do Brasil pode ser encontrada na Argentina (Misiones) e no Paraguai.

Há relatos de indivíduos que foram encontrados em regiões montanhosas de até 2.300 metros de altitude. H.Sick (1997), relatou bandos de aves nos arredores de Teresópolis - RJ, região de altitudes que variam de 869 (centro da cidade) a 2.262 metros de altitude (Serra dos Órgãos). Também há relatos de aves observadas em Itatiaia - SP, onde as altitudes variam de 600 a 2.789 metros (Pico das Agulhas Negras) e na RPPN Parque do Zizo/SP, em 2007, durante forte frutificação do bambu.

Referências

Galeria de Fotos